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Star Wars, A Jornada do herói e a produção de sentido na publicidade

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A peça gráfica apresenta, como composição de fundo, o cenário de um escritório deserto, onde um homem – aparentemente, um eletricista – , estaria trocando uma lâmpada. Até ai, tudo em ordem – não fosse pela lâmpada que esta acesa, sem nenhuma conexão de energia visível e pela forma com que o homem a segura – como se fora um sabre de luz [sabre de luz é uma espada, uma arma fictícia moderna, usada na saga fílmica de Star Wars, sendo composta por um feixe de raio laser poderosíssimo, capaz de cortar qualquer coisa].
Apenas a imagem, seguida pela assinatura da peça publicitária, com o logotipo e o texto de apoio da: “Star Wars Weekends”, seria suficiente para revelar a referência e o clima do filme Star Wars. Porém, a chamada publicitária – , na forma de texto principal – “The force is Calling”, com versão literal para o português: “A força está chamando”, completa o clima intrigante e místico da série de filmes.

Star Wars ou Guerra nas Estrelas, como é conhecida no Brasil, é uma série fílmica de ficção científica americana, lançada no ano de 1977, pelo roteirista e diretor de cinema, também americano – George Lucas, tendo a saga sete fílmes produzidos (sem considerar o sétimo), divididos em duas trilogias, exibidas de forma não cronológica e sendo um fenômeno mundial da cultura pop. A saga é ambientada em uma galáxia fictícia, onde existem diversas espécies de criaturas alienígenas, robóticas e humanóides. As viagens pelo espaço são comuns e há uma disputa por poder, pelo governo da galáxia, num jogo político para saber quem governará.
A “força”, como mencionada na peça, é um elemento de destaque dentro desse universo ficcional, e é considerada “uma energia onipresente que pode ser utilizada por aqueles com habilidade para tal […] um campo de energia criado por todos os seres vivos, que nos cerca, nos permeia e mantém a galáxia unida”. A “força”, ainda, possibilita, a quem a usa, aumentar suas capacidades físicas e intelectuais, de forma sobrenatural. Além do mais, a disputa pelo poder da galáxia é marcada pela guerra entre duas ideologias opostas, que são consideradas como: o lado da luz e do bem – representado pelos Cavaleiros Jedi. E o lado do mal e lado “negro da força” – representados pelos Sith.

Sendo assim, pelo que vemos na composição geral, a peça está totalmente imersa no ambiente da saga fílmica. “A força está chamando” é uma convocação – uma chamada muito conveniente – pois além de referenciar a mística energia presente no filme, ainda, serve como convite para o público comparecer ao evento da “Star Wars Weekends”. Pelo que vemos, nessa e em outras peças da mesma campanha publicitária, o conceito criativo de usar pessoas comuns – como é o caso do eletricista, sendo o protagonista – o ‘herói da peça publicitária’ – , sugere que todas as pessoas possuem a “força” dentro de si mesmas, pois a lâmpada que está acesa, sem nenhuma fonte de energia, é alimentada por essa “força” presente no eletricista e em cada um. Sendo sugestivo considerar que todas as pessoas possam ser heróis também. Além de, ao mesmo tempo, valorizar pessoas comuns, que executam tarefas simples, mas de grande importância para a sociedade, transformando a figura do herói em algo mais próximo à realidade e, segundo Jung (2008, p.144), reforçar um esquema psicológico criado tanto para o indivíduo “[…] encontrar e firmar sua personalidade, quanto para a sociedade como um todo, na sua necessidade semelhante de estabelecer uma identidade coletiva.”. A mensagem que fica, ao final de tudo, é que: ‘Você possui a energia do mundo dentro de si. Você é um herói do dia-a-dia. Agora, a Força está lhe chamando! Venha! Final de semana Star Wars.’

Pois bem, chegamos ao ponto em que, Campbell (2007) considera ser o chamado do herói. O chamado para a ação, para o início da Jornada do herói. E é dessa forma que revelamos a mensagem implícita, até então, sobre a invocação da figura do herói, tal qual, costumamos ver nas narrativas mitológicas. Analisando a seguinte condição de composição da peça: o eletricista está, basicamente, em um dia comum de trabalho, substituindo ou consertando uma lâmpada, que não funciona mais, e de repente, algo novo e fora do comum acontece: a lâmpada fica acessa em suas mãos, exatamente quando ele a segura, como se estivesse empunhando um sabre de luz – uma arma Jedi. Diante disso, tomamos esse acontecimento como a saída do mundo comum, para a entrada em algo novo. Como descreve Campbell (2007), O Chamado à Aventura é um convite para a resolução de um problema fora do cotidiano que surge ao herói e que precisa ser resolvido. O chamado à aventura é uma pergunta feita ao herói que precisa de uma resposta positiva. E quando essa resposta é dada, um novo mundo surge e uma jornada de descobrimento – tanto no campo físico como no psíquico – é revelada. No caso do convite feito para visitar o parque temático da “Walt Disney World Resort”, a proposta é que toda essa jornada poderá ser experimentada, em um mundo totalmente diferente – como uma aventura heróica.
Com isso, temos o que Jung (2008) e Campbell (2007), consideram ser uma expressão narrativa consciente de um esquema psíquico do inconsciente coletivo humano, representando, dessa forma, o arquétipo do herói. O que há de comum, nisso tudo, que ambos os autores discorrem, é o símbolo evolutivo que o arquétipo representa, como um ritual necessário para passar de uma fase da vida para outra; que representa o desenvolvimento da consciência e do ego diante de problemas específicos. “Isso é, a imagem do herói evolui de maneira a refletir cada estágio de evolução da personalidade humana.” (JUNG, 2008, p.144).
E neste caso do anúncio, a passagem pode ser feita/realizada por qualquer sujeito: qualquer um é herói; visitando a Star Wars Weekends.

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